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Cultural

Após 30 anos longe da escola, trabalhador retoma os estudos em projeto da São Benedito e sonha em cursar engenharia

Aos 47 anos, o servente de obra Marcelino Cavalcante da Silva decidiu voltar à sala de aula depois de quase três décadas longe dos estudos após deixar a escola ainda na quinta série para ajudar a mãe e os irmãos. O diploma e o sonho de cursar Engenharia Civil chegaram através do projeto Bendito Saber, da Construtora São Benedito, onde Marcelino trabalha, em parceria com o Sesi. A iniciativa oferece ensino gratuito para a conclusão do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio a colaboradores da construção civil, integrando as aulas à rotina de trabalho.

Na primeira formatura, realizada nessa quarta-feira (20), 21 colabores da Construtora São Benedito comemoraram a conclusão da primeira etapa de estudos. O projeto, que funciona como uma modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), foi estruturado para aproximar a sala de aula do ambiente profissional. Ao disponibilizar o espaço físico e o suporte pedagógico na própria sede, a empresa apoia trabalhadores que precisaram interromper os estudos no passado a retomarem sua formação acadêmica.
 

Morador de Cuiabá e trabalhador da construção civil, ele deixou a escola ainda na quinta série para ajudar a família e, agora, retomou a formação por meio do projeto Bendito Saber, da Construtora São Benedito, em parceria com o Sesi. O próximo objetivo é transformar um sonho de infância em realidade: cursar Engenharia Civil.

“Vim de família muito pobre, da região do Pernambuco, precisei trabalhar para ajudar minha mãe e criar meus irmãos. Por esse motivo parei de estudar em 1997. Meu pai foi um grande mestre de obra. Trabalhei com ele, pude ver o amor que ele tinha na arte de construir, fazer casas e prédios. Sempre tive isso dentro de mim, era um sonho dele me ver formado”, contou.

Aos 47 anos, Marcelino decidiu conciliar trabalho, família e estudos para finalmente buscar esse objetivo. “Todo sonho vai ter dificuldade, toda conquista vai ter dificuldade. Mas quando você já é um homem como eu, já casado, tenho dois filhos, se torna mais difícil, porque você tem que juntar trabalho, família e estudo”, afirmou.

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Ele retomou os estudos há cerca de quatro meses e diz que agora não pretende parar. “Hoje, aos meus 47 anos, resolvi unir o conhecimento com dinheiro. Agora vou em busca do meu sonho, ninguém me para mais.”

Entre os formandos também está Edileuda da Silva Freire, de 48 anos, trabalhadora do refeitório de uma das obras da construtora. Natural do Maranhão, ela interrompeu os estudos aos 16 anos e passou mais de três décadas longe da sala de aula. Para Edileuda, um dos diferenciais do projeto foi justamente a possibilidade de estudar sem precisar abandonar ou comprometer a rotina de trabalho.

“Eu tinha que trabalhar o dia inteiro, pegar ônibus, ir para um colégio. O corpo não aguentava. Com essa facilidade que a São Benedito oferece, dia de aula ela libera mais cedo para não ficarmos tão cansados”, relatou.

Ela também destacou o suporte oferecido durante as aulas, incluindo professores do Sesi e alimentação. Agora, com a conclusão dessa etapa, Edileuda pretende continuar estudando e buscar uma formação que permita crescer profissionalmente dentro da própria construtora.

“Vou continuar a estudar e penso em fazer um curso que possa entrar na área, trabalhar na São Benedito, porque não penso mais em sair da empresa. Trabalho aqui há sete meses e já tive essa oportunidade”, afirmou.

Educação como pilar de desenvolvimento

Para o CEO da Construtora São Benedito, Omar Maluf, o projeto representa uma forma de oferecer aos trabalhadores uma oportunidade que muitos não tiveram na juventude. “Isso nada mais é do que dar oportunidade aos colaboradores que não tiveram como estudar na sua juventude, de terem a sua escolaridade e uma qualidade de vida melhor para eles e para as famílias”, afirmou.

Omar também destacou a emoção de acompanhar a formatura dos funcionários. “Me emocionei ao ver a carinha de cada um ali. Sabemos que não é fácil. Eles têm que cuidar da família, têm o momento de muito trabalho e, mesmo assim, ainda têm que participar e estudar”, disse.

A primeira turma, formada por 21 alunos, serviu também como experiência para avaliar o modelo de ensino dentro da empresa. Com os resultados, a expectativa agora é ampliar o projeto. “Nesse primeiro fizemos um molde para ver como seria o formato, a localização. Agora vamos ampliar para mais turmas. Se Deus quiser, vamos ampliar muito esse programa”, afirmou o CEO.

De acordo com o diretor de Marketing da Construtora São Benedito, Amir Maluf, a primeira turma representa apenas o começo de uma iniciativa que deve ser ampliada. “É muito gratificante, porque estamos contribuindo para a sociedade. Cada pessoa que conseguimos ajudar na alfabetização é uma sociedade melhor”, afirmou.

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Segundo ele, além da conclusão da educação básica, o projeto pode abrir portas para novos caminhos profissionais. “Depois disso pode vir o ensino superior, escolher um curso onde ele possa atuar melhor no setor que está ou então até escolher outra profissão. Isso se chama independência, o estudo ninguém tira da pessoa”, destacou.

O projeto já havia sido realizado anteriormente pela empresa, com aulas dentro das obras, mas precisou ser interrompido durante a pandemia de Covid-19. Agora, a proposta foi retomada em parceria com o Sesi e ganhou um novo formato. “Começamos há uns anos com escolinha dentro da obra, tivemos que parar na época da pandemia e estamos retornando melhor ainda”, explicou Amir.

A diretora do Sesi Escola de Várzea Grande, Pollyana Coelho, explica que a parceria foi pensada justamente para diminuir as barreiras que podem levar um estudante da EJA a abandonar os estudos. “Geralmente fazemos essas aulas dentro do Sesi Escola em Várzea Grande. Fizemos essa parceria montando turmas aqui para facilitar a vida do trabalhador, que tem a jornada de trabalho diária e ao fim do dia ainda precisa se deslocar para uma escola. Para ele é muito desgastante”, contou.

Com o Bendito Saber, professores e metodologia do Sesi são levados até a empresa, enquanto a São Benedito oferece suporte para que os trabalhadores consigam participar das aulas dentro da própria rotina profissional. O resultado, segundo Pollyana, foi uma turma sem evasão. “O estudante EJA tem uma propensão a desistir no meio do caminho, mas quando ele está dentro do trabalho dele, na vivência diária, isso facilita para irmos até o final com ele”, explicou.

Para ela, a conclusão dos estudos também representa uma mudança nas perspectivas profissionais dos trabalhadores. “Eles estão se formando, se profissionalizando, a capacidade deles de conseguirem um emprego e um posicionamento melhor no mercado de trabalho é muito maior”, afirmou.

Leia a matéria:
https://www.olhardireto.com.br/conceito/noticias/apos-30-anos-longe-da-escola-trabalhador-retoma-os-estudos-em-projeto-da-sao-benedito-e-sonha-em-cursar-engenharia

https://matogrossoeconomico.com.br/conteudos-especiais/bendito-saber-trabalhadores-da-construcao-civil-de-mato-grosso-transformam-antigos-sonhos-em-diplomas/

https://vejabemmt.com.br/colaboradores-da-sao-benedito-concluem-ensino-fundamental-e-medio-em-projeto-dentro-da-empresa/